O El Niño está voltando: entenda o impacto para o comércio exterior e a logística internacional
Entrevista com André Cunha, Head of Sales da Quantum Logistics, para a Interseas.
As projeções climáticas já apontam para o retorno de um El Niño de intensidade forte a muito forte, com efeitos previstos entre o final de 2026 e o início de 2027. Para importadores e exportadores, esse tipo de evento não é apenas uma questão de clima: ele impacta diretamente rotas, prazos e custos logísticos.
Para entender o que muda no Brasil e no mundo, a Interseas conversou com André Cunha, Head of Sales da Quantum Logistics, que detalha os principais pontos de atenção para os próximos meses.
Entrevista na íntegra
O que é o El Niño e qual é o alerta para os próximos meses?
O El Niño resulta do aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial, um fenômeno capaz de alterar drasticamente os padrões globais de vento e precipitação. Para a logística internacional, o impacto é direto e exige adaptação imediata, sobretudo porque as projeções apontam para um evento de intensidade forte a muito forte entre o final de 2026 e o início de 2027.
Como esse cenário climático pode afetar a operação em cada região do Brasil?
Teremos impactos bem distintos pelo país. No Norte, seca prolongada e queda no nível dos rios devem limitar a capacidade dos navios e gerar cobranças de taxas adicionais (low water surcharge). No Nordeste, o quadro é de estiagem severa contínua e menor disponibilidade de água nos rios e reservatórios. No Centro-Oeste, esperamos altas temperaturas, atraso no início das chuvas, prolongamento do período seco e alto risco de queimadas. No Sudeste, ondas de calor duradouras e chuvas irregulares. Já no Sul, o risco é de temporais e chuvas intensas, com possibilidade de fechamento de barra para acesso aos portos de Itajaí e Navegantes.
E no comércio internacional, onde estão os gargalos previstos?
A cadeia de suprimentos global pode travar em três pontos. No Canal do Panamá, há risco real de falta de água, o que pode forçar a autoridade local a reduzir o calado dos navios e o limite de travessias diárias. Na costa do Pacífico da América do Sul, especialmente no Peru e no Equador, chuvas torrenciais, inundações e deslizamentos podem atrapalhar a cadeia logística. Já na Ásia, esperamos aumento na incidência de tufões e secas localizadas, gerando atrasos em cascata nas rotas marítimas.
O que o histórico recente de 2023-2024 nos ensina sobre esses prejuízos?
O último El Niño deixou lições duras e custos altíssimos. No Sul, a correnteza do Rio Itajaí-Açu forçou o fechamento da barra de Itajaí e Navegantes por mais de 20 dias. No Panamá, a seca reduziu o trânsito do canal pela metade, gerando filas de navios e atrasos globais por um ano. E na Amazônia, a logística precisou improvisar píeres flutuantes para abastecer Manaus — o custo extra atingiu R$ 1,5 bilhão.
Leitura Interseas: o que essa entrevista exige das operações agora?
O clima não espera a carga. Diante de um novo ciclo de El Niño previsto para 2026 e 2027, antecipar rotas, buscar alternativas de escoamento e planejar estoques deixam de ser medidas de precaução e passam a ser estratégia de continuidade operacional.
Se você quer entender como esse cenário pode afetar especificamente a sua operação de importação ou exportação, a Interseas pode apoiar no planejamento das suas próximas cargas e na definição da melhor estratégia logística para cada rota.

