Diferencial logístico em Santa Catarina: por que o estado virou “atalho” para o Sul do Brasil
Santa Catarina deixou de ser apenas um estado industrial forte e se destaca por seu diferencial logístico. Hoje, o estado também funciona como hub de distribuição e comércio exterior. Isso acontece porque a região combina portos competitivos, acessos rodoviários em evolução e um ambiente de negócios que pode reduzir custos e encurtar prazos.
Além disso, Santa Catarina fica perto de mercados relevantes do Sul e do Sudeste. Por isso, muitas empresas desenham rotas mais inteligentes para abastecer clientes com previsibilidade.
A seguir, você vai entender de onde vem esse diferencial logístico em Santa Catarina, quais setores ganham mais com essa estrutura e como transformar vantagem em resultado.
Qual é o diferencial logístico de Santa Catarina?
Para começar, Santa Catarina oferece algo raro no Brasil: alternativas logísticas próximas entre si. Em outras palavras, se um canal aperta, você troca de rota ou terminal sem “mudar de estado” para resolver.
Além disso, os números reforçam a consistência. Em 2024, os portos catarinenses movimentaram 63,5 milhões de toneladas, com crescimento sobre 2023. Em 2025, o estado avançou para 65,7 milhões de toneladas, também com alta sobre o ano anterior.
Ao mesmo tempo, o cenário nacional ajudou quem opera bem. Segundo a ANTAQ, o setor aquaviário brasileiro registrou recorde de movimentação em 2024, com destaque também para cargas conteinerizadas.
Portos de Santa Catarina: o motor do diferencial (e não é só “volume”)
Quando o assunto é logística em Santa Catarina, os portos aparecem primeiro. E com razão. No entanto, o diferencial não é apenas “movimentar muito”. O ponto central é movimentar com vocação clara para contêineres, exportação e cargas de maior valor agregado.
Além do volume total, o estado também se destaca em contêineres. Em 2024, os portos catarinenses movimentaram 2,56 milhões de TEUs, com crescimento frente ao ano anterior, segundo dados citados pela FIESC com base na ANTAQ.
E há um fator prático que pesa: especialização por complexo.
Por exemplo, a região de Itajaí é reconhecida por forte atuação em cargas alimentícias e refrigeradas, o que ajuda operações com cadeia fria e exportações sensíveis a prazo. Já terminais como Itapoá seguem com expansão e investimentos, o que tende a melhorar janelas e produtividade com o tempo.
Assim, em vez de concentrar tudo em um único porto, muitas empresas montam uma malha com mais de um terminal. Desse modo, ganham resiliência sem perder eficiência.
Acesso rodoviário: quando infraestrutura vira tempo (e tempo vira margem)
Porto forte não funciona sem estrada. Por isso, o avanço rodoviário é parte do “atalho” catarinense.
Um destaque direto para distribuição e ligação com o litoral é a duplicação da BR-470, no Vale do Itajaí. Segundo o DNIT, o projeto entre Navegantes e Indaial já tinha 85% dos serviços concluídos e 62 km duplicados e liberados ao tráfego, em atualização divulgada em dezembro de 2025.
Na prática, essa melhoria impacta três pontos:
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Lead time para o litoral e para o polo industrial do Vale.
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Previsibilidade em picos de sazonalidade.
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Custo por km, porque você reduz paradas e variações de rota.
Portanto, quando você desenha a malha terrestre com base nos corredores que evoluem, você reduz gargalos e protege margem.
Multimodalidade que já funciona: ferrovia no Sul e aeroportos em alta
Embora o Brasil ainda dependa muito do rodoviário, Santa Catarina tem pontos em que a multimodalidade já acontece na prática.
Ferrovia conectada ao Porto de Imbituba
O Porto de Imbituba opera com apoio da Ferrovia Tereza Cristina. Além disso, o próprio porto comunica iniciativas e discussões de ampliação de via férrea para atender o terminal.
Essa conexão importa porque aumenta opções para o Sul do estado. Além disso, ela ajuda quem busca estabilidade no escoamento e redução de custo total, dependendo do perfil da carga.
Aeroportos: conectividade que acelera negócios
Em 2025, os aeroportos catarinenses registraram recorde de 8,5 milhões de passageiros, com crescimento sobre 2024, segundo a Secretaria de Portos, Aeroportos e Ferrovias (SPAF).
Mesmo quando carga aérea não é o foco, conectividade melhora rotinas comerciais, pós-venda e suporte técnico. Assim, a logística fica mais competitiva no conjunto.
Incentivos e ambiente de negócios
Infraestrutura conta muito. Porém, o ambiente de negócios também pesa. Santa Catarina criou programas e tratamentos tributários que podem melhorar caixa e custo total. Ainda assim, eles exigem enquadramento correto e governança.
O Programa Pró-Emprego, por exemplo, tem como objetivo gerar emprego e renda por meio de tratamento tributário diferenciado do ICMS, conforme descrição da Secretaria da Fazenda de SC.
Além disso, materiais institucionais de Invest SC apresentam incentivos e citam TTDs, incluindo o TTD 409, com lógica de diferimento no desembaraço e crédito na etapa subsequente, conforme o documento.
Aqui vale um cuidado direto: incentivo não substitui planejamento. Portanto, antes de “importar por SC” ou instalar CD, alinhe operação, fiscal e jurídico. Assim, você ganha vantagem sem susto.
Quem mais aproveita o diferencial logístico em Santa Catarina
Como o estado combina portos fortes, indústria e acesso a mercados, alguns segmentos capturam valor mais rápido:
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Alimentos, proteína e cadeia fria
Você tende a ganhar previsibilidade em operações que exigem controle de tempo e temperatura. -
Indústria com alto giro e reposição rápida
Têxtil, metalmecânico, autopeças e bens de consumo se beneficiam quando o estoque fica mais próximo do cliente final. Além disso, alternativas portuárias reduzem dependência de um único ponto de falha. -
Importação para distribuição nacional
Quando o desenho fiscal e a malha logística conversam, Santa Catarina pode funcionar como porta de entrada eficiente. Em seguida, a empresa distribui por cross-docking, transferência e roteirização regional.
Como transformar a vantagem de SC em resultado logístico
Para capturar o diferencial, você precisa amarrar estratégia e execução. Por isso, use este roteiro:
1) Mapeie origem, destino e perfil do produto
Primeiro, identifique sensibilidade a prazo, necessidade de cadeia fria, risco de avaria e sazonalidade. Em seguida, você define modal e terminal com mais precisão.
2) Escolha porto (ou combinação de portos) pela sua realidade
Em vez de decidir só por preço, compare janela, frequência, tempo de gate, armazenagem e especialização. Assim, você reduz custo oculto.
3) Desenhe a malha terrestre com foco em previsibilidade
Aqui, você ganha muito ao alinhar rotas com corredores em evolução, como trechos relevantes da BR-470.
4) Avalie incentivos com governança
Se fizer sentido, enquadre Pró-Emprego e TTDs com controles, auditoria e processos claros.
5) Feche o ciclo com indicadores simples
OTIF (no prazo e completo), avarias, custo por pedido, tempo de docas e ruptura de estoque mostram rapidamente se a estratégia funciona.
Checklist rápido para colocar a operação de pé sem perder eficiência
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Defina SLA por região (e não só “prazo médio”).
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Negocie com transportadoras usando histórico de sazonalidade.
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Tenha plano B de rota e terminal para períodos críticos.
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Trate cadeia fria como processo (monitoramento + padrão + auditoria).
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Padronize documentação para reduzir tempo parado.
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Integre WMS/TMS para evitar retrabalho e divergência de estoque.
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Revise o desenho fiscal com frequência, porque regra boa sem controle vira risco.
Referências
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Contêineres em SC (2024) FIESC (dados ANTAQ)
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Pró-Emprego SEF/SC
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Incentivos fiscais SC Invest SC
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Recorde aeroportos SC (2025) SPAF/SC
FAQ: dúvidas comuns sobre diferencial logístico em Santa Catarina
1) Santa Catarina serve só para o Sul do Brasil?
Não. O estado tem posição excelente para o Sul e parte do Sudeste. Ainda assim, muitas empresas usam SC como hub para rotas nacionais quando combinam porto + CD + transferências bem planejadas.
2) Vale operar com mais de um porto em SC?
Sim. A proximidade entre terminais permite redundância. Além disso, você reduz risco em períodos de pico, desde que padronize processos e contratos.
3) O que pesa mais: incentivo fiscal ou infraestrutura?
Depende do produto e da malha. Porém, na prática, a melhor estratégia junta os dois: infraestrutura para cumprir SLA e incentivo para otimizar custo total.
4) A BR-470 influencia quem não está no Vale do Itajaí?
Frequentemente, sim. O Vale concentra indústria e ligações com áreas portuárias importantes. Portanto, qualquer ganho de fluidez reduz efeitos em cascata na distribuição.
5) Como começar sem “apostar alto” logo de cara?
Você pode iniciar com um CD menor, testar malha por regiões e, em seguida, expandir com base em OTIF, custo por pedido e ruptura.
Pronto para desenhar sua rota via Santa Catarina?
Santa Catarina oferece infraestrutura, alternativas portuárias e um ambiente de negócios que pode acelerar sua logística. No entanto, você só captura essa vantagem quando desenha a operação com método.
Se você quer transformar o “atalho” catarinense em redução real de prazo e custo total, a Interseas pode apoiar no desenho da rota, escolha de terminal, planejamento de malha terrestre e execução ponta a ponta. Fale com o time e leve seu cenário (origens, destinos e perfil de carga). Assim, você mapeia uma estratégia viável — com previsibilidade e plano B desde o início.

