Novo Processo de Importação: por que essa mudança impacta diretamente a estratégia do importador
O comércio exterior brasileiro está passando por uma transformação estrutural. O chamado Novo Processo de Importação não representa apenas a substituição de sistemas antigos, mas uma mudança profunda na forma como o país controla, analisa e autoriza as importações.
Dentro desse novo modelo está a DUIMP (Declaração Única de Importação). No entanto, tratá-la como o centro da mudança é um erro comum. A DUIMP é consequência de uma lógica mais ampla, baseada em dados, produtos e gestão de risco — e é isso que realmente impacta a rotina e a competitividade das empresas importadoras.
Para a indústria, entender essa transição deixou de ser uma discussão técnica. Passou a ser um tema estratégico.
O que muda com o Novo Processo de Importação
Historicamente, o processo de importação no Brasil foi construído sobre uma lógica documental e reativa. Informações eram prestadas por operação, muitas vezes apenas após o embarque, e o licenciamento acontecia de forma fragmentada, com baixa previsibilidade.
O Novo Processo de Importação rompe com esse modelo. A proposta é antecipar informações, integrar Receita Federal e órgãos anuentes e permitir que a análise seja feita com base no produto, no histórico do importador e no risco da operação. Isso altera diretamente a forma como o importador planeja compras, negocia prazos e estrutura sua cadeia de suprimentos.
Nesse cenário, a DUIMP passa a consolidar informações que antes estavam dispersas em diferentes declarações, mas o ganho real ocorre antes mesmo do registro da carga.
A DUIMP dentro dessa nova lógica
A DUIMP surge como a declaração central do novo processo, substituindo gradualmente o modelo anterior. Seu papel, porém, vai além da simplificação documental.
Ao estar conectada a um ecossistema mais integrado, a DUIMP permite que parte das importações ocorra sem exigência de licenciamento, enquanto outras continuam sujeitas à anuência, mas de forma mais previsível e estruturada. O histórico do produto e do importador passa a influenciar diretamente o tratamento da operação.
Na prática, empresas que investem em organização prévia, padronização de dados e gestão de risco enfrentam menos exigências e maior fluidez no desembaraço.
Licenças, permissões e documentos: uma nova lógica
Um dos pontos mais sensíveis para o importador sempre foi o licenciamento. No modelo anterior, cada operação exigia uma nova análise, mesmo quando envolvia o mesmo produto, fornecedor e enquadramento regulatório.
Com o Novo Processo de Importação, essa lógica começa a mudar. Parte dos produtos passa a operar sem necessidade de licenciamento, enquanto outros continuam exigindo anuência, porém com regras mais claras e centralizadas. Além disso, surge a possibilidade de licenças mais flexíveis, que podem ser vinculadas a mais de uma DUIMP, reduzindo retrabalho e inconsistências.
Documentos, certificados e permissões passam a ser tratados de forma integrada, o que diminui a fragmentação que historicamente gerava atrasos e custos adicionais.
O papel estratégico do Catálogo de Produtos
Dentro do novo modelo, o Catálogo de Produtos deixa de ser um simples cadastro e passa a ser a base da análise aduaneira.
É nele que ficam consolidadas a descrição do produto, a classificação fiscal, os atributos exigidos pelos órgãos anuentes e as informações que impactam tributação e controle administrativo. Quanto mais consistente for esse registro, maior tende a ser a previsibilidade e a fluidez das importações futuras.
Para a indústria importadora, o Catálogo passa a funcionar como um ativo estratégico, capaz de reduzir riscos regulatórios, evitar divergências e apoiar decisões mais eficientes de compra e logística.
O que essa mudança representa, na prática, para o importador
Do ponto de vista operacional e estratégico, o Novo Processo de Importação traz ganhos relevantes. A antecipação de informações reduz surpresas no desembaraço, melhora a previsibilidade de prazos e permite um planejamento mais eficiente da cadeia logística.
Mais do que acelerar processos, o novo modelo oferece maior controle sobre riscos regulatórios, custos indiretos e impactos na produção — um fator crítico para empresas com alto volume de importações ou operações sensíveis a atrasos.
Cronograma: mais importante que as datas é entender o impacto
O cronograma de implementação do Novo Processo de Importação é extenso, mas hoje o maior impacto está concentrado nas importações sem exigência de licenciamento e naquelas com anuência concentrada, que representam a maior parte do volume importado pelo Brasil, tanto no modal marítimo quanto no aéreo.
Por isso, mais do que acompanhar datas, o importador precisa entender como seus produtos se enquadram nesse novo cenário e quais ajustes estratégicos são necessários para evitar gargalos futuros.
A Interseas garante a sua continuidade operacional
O Novo Processo de Importação não deve ser visto apenas como uma mudança sistêmica. Ele redefine a forma como as empresas importadoras planejam, controlam e protegem suas operações internacionais.
Quem trata essa transição de forma estratégica ganha previsibilidade, eficiência e segurança operacional. Quem ignora o movimento corre o risco de enfrentar entraves em um ambiente aduaneiro cada vez mais inteligente — e mais exigente.
A Interseas acompanha de perto essa transformação e auxilia seus clientes na adaptação ao Novo Processo de Importação, garantindo continuidade operacional e gestão estratégica de riscos ao longo de toda a cadeia de suprimentos.

